Análise

Review | The Alters: Sobreviver é Conviver com Quem Você Poderia Ter Sido

Crie versões de si mesmo, sobreviva e explore escolhas que mudam tudo em um sci-fi profundo e envolvente.
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The Alters
Imagem: Divulgação
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The Alters é um jogo de sobrevivência sci-fi com forte foco narrativo, desenvolvido pela 11 bit studios (a mesma de This War of Mine e Frostpunk). Aqui, você controla Jan Dolski, um trabalhador comum preso em um planeta hostil — e a única forma de sobreviver é criar outras versões de si mesmo, os chamados Alters.

Cada Alter nasce de uma escolha diferente feita no passado. Não são clones vazios: são pessoas completas, com personalidade, crenças, traumas e vontades próprias. O jogo não pergunta apenas como sobreviver, mas quem você teria sido se tivesse feito outras escolhas.

Para quais dispositivos

The Alters está disponível para:

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  • PC (Windows)
  • PlayStation 5
  • Xbox Series X|S

Um sci-fi claramente pensado para a geração atual, tanto em visual quanto em complexidade narrativa.

O que é bom

Ideia central extremamente poderosa
Criar versões alternativas de si mesmo não é só mecânica — é tema. O jogo transforma decisões passadas em personagens jogáveis, algo que lembra o peso emocional de Disco Elysium misturado ao sci-fi existencial de Moon e Blade Runner.

Conflitos psicológicos reais
Os Alters discutem, discordam, questionam suas decisões e até sabotam planos. É quase como gerenciar uma base cheia de versões suas que te julgam. Se você gosta de jogos que mexem com o psicológico, aqui é prato cheio.

Mistura inteligente de gêneros
The Alters combina gerenciamento de base, sobrevivência, exploração e narrativa interativa de forma orgânica. Nada parece jogado ali só para cumprir checklist de gênero.

Direção de arte e clima opressivo
O planeta é hostil, estranho e solitário. A trilha sonora e o visual passam aquela sensação constante de urgência, lembrando o desconforto existencial típico dos jogos da 11 bit.

O que deixa a desejar

Ritmo mais lento
Quem espera ação constante pode estranhar. The Alters é um jogo mais contemplativo, onde decisões e diálogos importam mais que reflexos rápidos.

Gerenciamento pode cansar
Administrar recursos, tarefas e conflitos entre Alters exige atenção constante. Em sessões longas, isso pode se tornar mentalmente exaustivo.

Repetição estrutural
Apesar da força narrativa, algumas rotinas de sobrevivência podem soar repetitivas, especialmente para quem já jogou títulos do gênero.

Curiosidade interessante

O conceito de The Alters nasceu de uma pergunta simples feita pelos desenvolvedores:
“Quem você seria hoje se tivesse tomado decisões diferentes na vida?”

Essa ideia guia tudo no jogo — não só a história, mas também os sistemas e conflitos. Cada Alter é praticamente uma crítica viva às escolhas do protagonista (e, indiretamente, às do jogador).

Vale ou não a pena jogar?

Vale muito a pena se você:

  • Gosta de jogos narrativos e reflexivos
  • Curte sci-fi existencial
  • Gostou de This War of Mine, Frostpunk ou Disco Elysium
  • Quer um jogo que provoca mais do que entretém

Talvez não seja para você se:

  • Prefere ação constante
  • Não gosta de leitura e diálogos densos
  • Se frustra com gerenciamento e decisões difíceis

Veredito: The Alters não é sobre salvar o mundo — é sobre encarar a si mesmo. Um sci-fi inteligente, desconfortável e emocionalmente pesado, que prova mais uma vez que a 11 bit studios sabe transformar sofrimento, escolhas e humanidade em videogame. Um jogo que fica na cabeça mesmo depois de desligar o console.

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